Atividade física em cada fase da vida: benefícios, cuidados e como começar
Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadrilPostado em: 27/04/2026

No Dia Mundial da Atividade Física, o Dr. Daniel Daniachi, ortopedista, traumatologista e especialista em cirurgia do quadril do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, participou de uma entrevista à Rádio CBN para falar sobre um tema que atravessa todas as idades.
Mais do que reforçar a importância do exercício, ele trouxe orientações bem práticas sobre como começar, como evoluir e como evitar lesões no caminho.
A conversa toca em um ponto que costuma ficar em segundo plano: movimento não deve ser tratado como algo opcional.
Da infância à terceira idade, a atividade física se relaciona com saúde mental, autonomia, força muscular, proteção óssea e qualidade de vida. E o melhor é que isso não exige começar de forma radical, e sim consistente.
Benefícios da atividade física em cada fase da vida
Ao longo da entrevista, o Dr. Daniel deixa claro que a atividade física não beneficia apenas um grupo específico.
Ela acompanha as necessidades do corpo e da mente em cada etapa da vida, com impactos que mudam conforme a idade, mas que seguem sendo muito relevantes do começo ao fim.
Infância e adolescência
Na infância, a atividade física ajuda no desenvolvimento motor, cognitivo e social. Crianças que se movimentam com frequência tendem a construir melhor consciência corporal, mais repertório de movimento e mais facilidade de interação com outras crianças.
Na adolescência, esse papel ganha ainda mais peso. Em uma fase marcada por muitas mudanças, excesso de telas e instabilidade emocional, o exercício funciona como apoio importante para o bem-estar.
Não se trata só de gastar energia, mas também de criar rotina, reduzir isolamento e sustentar uma relação mais saudável com o próprio corpo.
Adultos jovens — saúde mental e depressão
Na entrevista, o Dr. Daniel comenta que a prática de atividade física está associada a menores índices de depressão em adultos jovens.
Ele destaca, inclusive, que esportes com contato e convivência, como modalidades com bola e artes marciais, podem ter um efeito ainda mais interessante nesse grupo.
Isso faz sentido porque, nessa fase, o exercício também entra como espaço de socialização, disciplina e equilíbrio emocional.
Em um momento da vida em que muita gente lida com cobrança, incerteza profissional e mudanças rápidas, o esporte pode funcionar como uma válvula de escape mais saudável do que o excesso de telas e o isolamento.
Terceira idade — independência funcional
Na terceira idade, a atividade física tem papel direto na manutenção da autonomia. O Dr. Daniel reforça que ela ajuda a preservar a independência funcional, reduzir isolamento social e melhorar a recuperação em situações como cirurgias, doenças e traumas.
Na prática, isso significa prolongar a capacidade de fazer tarefas do dia a dia com mais segurança e menos dependência.
Caminhar, levantar, carregar objetos, sair sozinho e sustentar uma rotina ativa passa muito pela força, pelo equilíbrio e pela constância ao longo dos anos.
Articulações como o quadril e os joelhos são especialmente afetadas pelo sedentarismo ao longo dos anos.
Manter a musculatura ativa é uma das formas mais eficazes de protegê-las. Para entender melhor como o desgaste articular impacta essa fase da vida, vale ler também sobre cirurgia para desgaste do quadril.
Musculação, pilates ou caminhada: o que priorizar?
Quando o assunto é escolher por onde começar, muita gente trava. Na entrevista, o Dr. Daniel organiza esse raciocínio de forma simples ao dividir a atividade física em dois grandes grupos: exercícios aeróbicos e exercícios de fortalecimento muscular.
A caminhada aparece como uma excelente porta de entrada para quem hoje está sedentário. Já o fortalecimento muscular entra como uma base importante para sustentar articulações, preservar massa magra e manter a autonomia ao longo do tempo.
Exercícios resistidos, como musculação, pilates e funcional, ajudam a melhorar estabilidade, força e capacidade funcional.
Nem todo mundo gosta de musculação, e isso não impede um bom planejamento. O ponto principal é incluir alguma estratégia de fortalecimento na rotina, porque ela faz diferença agora e lá na frente.

Como sair do sedentarismo sem se lesionar
Esse foi um dos trechos mais úteis da conversa, porque o Dr. Daniel não fala apenas sobre a importância de se exercitar. Ele explica também por que tanta gente se machuca quando tenta recomeçar e como evitar esse ciclo.
O erro mais comum: progressão rápida demais
O erro mais frequente é querer compensar anos de sedentarismo em poucos dias. A pessoa se anima, aumenta carga, tempo ou intensidade rápido demais e, antes de consolidar o hábito, já aparece a dor ou a lesão.
Isso costuma gerar um ciclo ruim: empolgação, exagero, interrupção e desânimo. Por isso, o melhor caminho não é começar no limite. É começar em um nível que possa ser mantido com regularidade, sem transformar motivação em pressa.
Subir e descer escada: como fazer certo
A escada pode, sim, ser um bom exercício. Ela trabalha condicionamento cardiovascular e força de pernas, além de entrar como opção prática no dia a dia. Mas isso não quer dizer que a pessoa deva sair do zero para uma carga alta de uma vez.
O ideal é progredir aos poucos. O próprio Dr. Daniel dá um exemplo simples: quem mora em andar alto pode começar subindo alguns lances e evoluindo gradualmente.
Ele também lembra que descer escada pode incomodar mais quem já tem dor anterior no joelho ou condromalácia. Nesses casos, o corpo precisa ser ouvido com ainda mais atenção.
Corrida: quando é segura
A corrida parece acessível, mas exige mais do que parece quando o objetivo é correr volumes maiores. Segundo o Dr. Daniel, correr mais exige preparo, fortalecimento muscular, adaptação e organização de rotina.
Muitas lesões aparecem não porque a corrida seja, em si, o problema, mas porque o corpo ainda não estava pronto para suportar aquela carga.
Quando a exigência sobe antes da base física, o risco aumenta. Por isso, correr bem não depende só de vontade. Depende de preparo.
Atividade física protege os ossos? (osteoporose, impacto, pós-menopausa)
A entrevista também toca em um ponto muito importante: a relação entre atividade física e saúde óssea. O Dr. Daniel reforça que o exercício tem papel relevante na prevenção da osteoporose, especialmente nas mulheres após a menopausa.
Nesse contexto, atividades com carga e impacto controlado costumam ser mais úteis do que exercícios sem impacto.
Caminhada, trote leve, musculação e outros exercícios resistidos ajudam a estimular o osso junto com a musculatura.
Isso vale também para regiões como o quadril, uma das mais vulneráveis a fraturas e ao desgaste articular com o envelhecimento. Para aprofundar esse tema, vale ler também sobre tratamento cirúrgico de fratura do fêmur proximal.
Claro que isso não significa sair pulando sem preparo. O raciocínio segue o mesmo de todo o restante da entrevista: cada pessoa precisa respeitar seu ponto de partida. O ganho vem da progressão segura, e não do exagero.
Memória muscular: quem parou pode voltar?
Muita gente que já treinou no passado se pergunta se ainda leva alguma vantagem ao retomar a atividade depois de anos parada.
Na conversa, o Dr. Daniel explica que o músculo sem uso atrofia, mas quem já teve contato com treino e exercício ao longo da vida muitas vezes volta com mais facilidade do que quem nunca praticou nada.
Parte disso se relaciona à familiaridade com o esforço, com a rotina e com a adaptação ao treino. Ainda assim, voltar não significa retomar do ponto em que se parou.
O corpo muda, a capacidade muda, e o recomeço precisa ser tratado como um ponto de partida real, não como continuação.

Creatina vale a pena?
No fim da entrevista, a creatina aparece como assunto, mas de forma equilibrada. O Dr. Daniel não trata suplemento como atalho e lembra que a creatina deve ser vista como complemento, não como solução isolada.
Antes de discutir suplemento, vale olhar para o básico: sono, alimentação, ingestão adequada de proteína e prática regular de atividade física.
Em alguns casos, a creatina pode ser útil e até ter benefícios no suporte à massa muscular e em aspectos cognitivos. Mas isso depende da necessidade individual e não substitui uma base mal feita.
Perguntas frequentes sobre os benefícios da atividade física
A entrevista toca em dúvidas muito comuns de quem quer começar ou retomar uma rotina de atividade física. Abaixo, estão respostas diretas para as principais delas.
Qual exercício físico é mais indicado para pessoas acima de 60 anos?
O ideal costuma ser combinar atividade aeróbica com fortalecimento muscular. Caminhada, pilates, funcional e musculação bem orientada costumam ser boas opções, a depender da condição de cada pessoa.
Subir escada faz mal para o joelho?
Não necessariamente. Escada pode ser um bom exercício, mas exige progressão. Em quem já sente dor no joelho, principalmente ao descer, pode haver mais incômodo e necessidade de ajuste.
Quem nunca se exercitou pode começar na terceira idade?
Pode, sim. O mais importante é começar de forma gradual, respeitando o condicionamento atual e evitando exageros logo no início.
Creatina é recomendada para quem?
Ela pode ser útil em alguns casos, mas depende da alimentação, da rotina de treino, da ingestão de proteína e da necessidade individual. Não substitui hábitos básicos bem feitos.
Quando procurar um ortopedista por dor durante o exercício?
Quando a dor persiste, volta com frequência ou começa a limitar movimentos e atividades. Mesmo quando parece pequena, uma dor recorrente merece avaliação.
Nesses casos, vale buscar uma avaliação especializada. Você também pode entender melhor quando o desgaste articular começa a interferir na rotina no conteúdo sobre cirurgia para desgaste do quadril.
O movimento certo é o que vira hábito
A fala do Dr. Daniel na CBN deixa uma mensagem muito clara: atividade física não precisa nascer de uma virada radical para funcionar. Na maior parte das vezes, o que traz resultado de verdade é o que consegue entrar na rotina e permanecer nela.
Mais do que desempenho ou estética, o movimento é parte do cuidado com a saúde ao longo da vida.
Começar com uma caminhada, fortalecer aos poucos, respeitar o corpo e ajustar a carga já muda muito. E, em muitos casos, é justamente esse começo sem pressa que faz a diferença durar.
Agende uma consulta com o Dr. Daniel Daniachi!
Preencha o formulário e agende sua consulta
INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dr. Daniel DaniachiOrtopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril
Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), possui residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela mesma instituição de ensino e subespecialização em Cirurgia do Quadril.
Registro CRM-SP nº 117036 | RQE:120008 Ortopedia e Traumatologia