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Como é feito o tratamento cirúrgico de fratura do fêmur proximal?

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

Basicamente, os ossos formam a estrutura que dá suporte aos tecidos moles do corpo e protegem os órgãos vitais, como o coração e cérebro. E o fêmur, por sua vez, propicia apoio aos músculos da região, mais especificamente da coxa, permitindo as devidas movimentações, como caminhar ou sentar.

Conforme envelhecemos, é natural que os ossos se tornem mais frágeis, perdendo a sua capacidade de absorver alguns impactos num processo chamado de osteopenia, o que torna a fratura do fêmur mais comum com o avanço da idade. Já a osteoporose, que é uma condição metabólica causada principalmente pela queda radical da concentração de determinados hormônios, pode aumentar significativamente as chances de fratura. Essa doença acomete em especial as mulheres, por conta da menopausa.

Na maioria dos casos, a fratura do fêmur costuma acontecer na parte superior do osso que fica próxima à bacia. Se trata da fratura do fêmur proximal, que dependendo do local, pode ser considerada:

  • Fratura do colo do fêmur;
  • Fratura transtrocanteriana (responsável por aproximadamente 50% das fraturas do fêmur proximal);
  • Fratura subtrocanteriana.

Quando a fratura do fêmur proximal acontece em pacientes jovens, geralmente por traumas de alta energia, o tratamento com o uso de parafusos e placas, na maioria das vezes, é o suficiente para a estabilização do osso. Em contrapartida, o tratamento para os idosos, que são o principal grupo de risco, costuma ser um processo mais delicado. Na maioria das vezes, esses pacientes apresentam a fratura com desvio, ou seja, o osso é dividido em duas partes. 

Além disso, os riscos de complicações por conta da fratura tendem a ser maiores, quando existem outros problemas de saúde concomitantes, como diabetes e hipertensão. A impossibilidade de andar e a necessidade de permanecer deitado por muito tempo também são fatores que podem gerar complicações, como trombose, problemas pulmonares e infecções secundárias. 

Ademais, dados apontam que cerca de 30% das pessoas com mais de 65 anos e 40% das que têm mais de 80 sofrem alguma queda por ano. E estima-se que até 2050, mais de seis milhões de pessoas devam apresentar alguma fratura no quadril, devido ao aumento progressivo do número de idosos no mundo.

Sintomas e o tratamento cirúrgico de fratura do fêmur proximal

O principal sintoma desse quadro é a dor, mais especificamente no quadril, na virilha e na coxa. Outra consequência bastante comum é a dificuldade de andar, em que o indivíduo pode mancar ou ficar totalmente incapacitado de caminhar. Em alguns casos, podem ser notados hematomas no local.

A cirurgia consiste num procedimento de grande porte, realizada com anestesia geral, com uma duração média de duas horas. Em fraturas no colo do fêmur, de forma geral, a indicação é remover totalmente a estrutura afetada para fazer o implante de próteses na área do acetábulo (osso do quadril) e no próprio fêmur. 

Quando a fratura ocorre nas regiões transtrocanteriana ou subtrocanteriana, existe a opção de fazer o uso de placas e parafusos para a estabilização do osso. Mas, isso vai depender da qualidade do osso do paciente, que, quando se trata de um idoso, nem sempre é possível. Por isso, em alguns casos desse tipo de fratura, principalmente para a terceira idade, também se recomenda o implante de prótese.

A técnica de implante e o tipo de prótese também acompanham as características do paciente. Quando ele apresenta baixa qualidade óssea, como a maioria dos idosos, geralmente se faz o implante de prótese com o uso do cimento cirúrgico. Basicamente, o produto serve como molde, que adere ao osso, e as próteses normalmente são polidas e de metal, como cromo e cobalto.

Já em pacientes mais jovens, com maior qualidade óssea, normalmente se recomenda o implante de prótese não cimentada.  Nesse caso, as próteses são rugosas e costumam ser feitas de titânio. O propósito dessa técnica é fazer com que o osso cresça e se torne aderente à estrutura. Por isso, não é tão indicada para os idosos.

O objetivo principal do tratamento cirúrgico de fratura do fêmur proximal é eliminar a dor e restabelecer a capacidade de movimentação dos membros inferiores, devolvendo a qualidade de vida aos pacientes.

Pós-operatório

Após o procedimento cirúrgico, geralmente o paciente é encaminhado para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) e, caso a recuperação ocorra dentro do esperado, ele é encaminhado para o quarto já no dia seguinte, quando deverá começar as sessões de fisioterapia.

A maioria dos pacientes consegue ficar sentado e até mesmo em pé, dentro de 24 horas. Quando consegue ficar em pé sozinho, sem indisposições, esse é o momento que o paciente recebe alta do hospital. De forma geral, o pós-operatório do tratamento de fratura do fêmur proximal é bastante rápido e, quando o paciente volta para casa, ele deverá realizar a fisioterapia de duas a três vezes por semana.

No período de recuperação, as atividades do dia a dia devem ser feitas de acordo com as orientações do médico. Após o tratamento cirúrgico, leva cerca de dois meses para a cicatrização total da região. Precisa passar pela avaliação de um especialista em quadril? Entre em contato e agende a sua consulta.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), possui residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela mesma instituição de ensino e subespecialização em Cirurgia do Quadril.
Registro CRM-SP nº 117036.