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Pubalgia tem cura?

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

Antes de tudo, é importante saber que o púbis é o osso localizado na região inferior da pelve, fazendo parte do anel pélvico, que, por sua vez, faz a proteção de órgãos, como bexiga, próstata ou útero, sendo também responsável pela origem e inserção de músculos do abdômen e da coxa. 

O corpo humano conta com 2 púbis, um do lado direito e outro do esquerdo, que se interligam por uma fibrocartilagem chamada de sínfise púbica. E toda essa região, juntamente com os músculos nela inseridos, está sujeita à inflamação característica da pubalgia. 

A pubalgia é desencadeada especialmente por traumas repetitivos e sobrecargas. Portanto, é uma condição que acomete principalmente atletas praticantes de atividades que exigem a ação de chutar repetidamente, que realizam mudanças bruscas de movimento ou de rotação dos membros inferiores, como acontece no futebol, tênis, corrida, lutas, rúgbi e hóquei, por exemplo. Estima-se que ela afeta em torno de 5% desses esportistas e tem uma incidência muito maior em homens do que em mulheres.

Entretanto, também é comum o problema surgir na gravidez, por conta das mudanças na distribuição do peso na região da bacia, e também no trabalho de parto, devido a uma contração forte e prolongada da musculatura abdominal. Outra causa que também pode desencadear na inflamação são procedimentos cirúrgicos na região pélvica, como correção de hérnias inguinais, fixação de fraturas e prostatectomia.

Também conhecida como osteíte púbica, a pubalgia consiste numa inflamação no osso do púbis e nos tecidos ao seu redor, como sínfise púbica e origem tendíneas. 

Sintomas e Diagnóstico

A principal queixa dos pacientes diagnosticados com pubalgia é a dor, principalmente na porção inferior do abdômen, que pode irradiar para a parte interna das coxas, região genital, testículos ou períneo. Além disso, o indivíduo pode apresentar marcha manca, ou claudicante.

A dor tende a piorar quando é exercida uma pressão maior na região pélvica, por exemplo, ao:

  • Praticar esportes (corrida, futebol, saltos, lutas, etc.);
  • Realizar determinados movimentos ou atividades (abdominais, chutes, relação sexual);
  • Tossir ou espirrar;
  • Deitar de lado;
  • Subir e descer degraus;
  • Se levantar da cama.

Muitas vezes, os sintomas da pubalgia podem ser imprecisos e nem sempre são localizados, o que pode causar confusão com outras condições que apresentam sinais semelhantes, como:

  • Osteoartrose;
  • Impacto femoroacetabular (IFA);
  • Hérnias inguinais;
  • Infecção (osteomielite, abscesso);
  • Problemas no sistema urinário (infecção, prostatite, tumores);
  • Problemas no sistema ginecológico (cistos, tumores, endometriose).

Então, para traçar o diagnóstico correto e descartar a possibilidade de outras doenças, geralmente é feito o exame físico, com palpação do local, compressão lateral da bacia, rotação do quadril, abdominais, dentre outros testes específicos, e se considera também o histórico do paciente. Além disso, são solicitados exames de imagem, como raio-X, ultrassonografia e ressonância magnética.

Tratamento

Num primeiro momento, o tratamento da pubalgia consiste em fazer repouso e uso da medicação prescrita pelo médico, que normalmente é à base de analgésicos e anti-inflamatórios. Então, visando principalmente o fortalecimento do CORE (musculatura central) e a estabilização da pelve, se encaminha o paciente para realizar sessões de fisioterapia.

O período de fisioterapia no tratamento da pubalgia costuma ser longo, mas na maioria dos casos proporciona bons resultados. Mesmo com o cumprimento do tratamento fisioterápico, se faz necessária a adoção de mudanças na rotina de treinos do paciente, com a inclusão de exercícios que fortaleçam o CORE, a fim de evitar o retorno do quadro.

Quando o paciente não apresenta resultados satisfatórios com o tratamento conservador, é recomendada a cirurgia, que tem como principal objetivo o equilíbrio da musculatura local. Para isso, normalmente o procedimento consiste na liberação parcial dos tendões musculares do reto abdominal e adutores, tornando-os um pouco mais fracos. Dentre as opções cirúrgicas para o tratamento da pubalgia estão:

  • Curetagem da sínfise púbica;
  • Artrodese (fusão dos dois púbis);
  • Ressecção parcial ou total do púbis.

Na gravidez, por conta das alterações hormonais desse período e o consequente afrouxamento dos ligamentos da bacia e sínfise pública, pode ocorrer uma dilatação dessa articulação e, assim, causar dor. E, devido às restrições de uso de medicamentos nessa fase, o tratamento da pubalgia para as grávidas é baseado no uso de cintas, orientação postural, acupuntura, exercícios, dentre outros cuidados.

Afinal, a pubalgia tem cura?

A resposta é sim, mas desde que todo o tratamento seja cumprido conforme as orientações médicas, que geralmente envolvem, além de alguns cuidados específicos, sessões de fisioterapia e o uso dos devidos medicamentos.

E, ainda que seja difícil se afastar por um tempo das atividades físicas, no caso dos atletas, essa também é uma condição fundamental para a cura. O retorno deve ser gradual e progressivo, de acordo com a recomendação do profissional, a fim de possibilitar o retorno à prática de esportes de alto desempenho sem complicações e evitar uma pubalgia crônica

Está com algum dos sintomas mencionados e precisa passar por uma avaliação? Entre em contato e agende a sua consulta.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), possui residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela mesma instituição de ensino e subespecialização em Cirurgia do Quadril.
Registro CRM-SP nº 117036.