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Revisão de prótese total de quadril: quando fazer?

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

A revisão de prótese total de quadril se trata de um procedimento de alta complexidade, realizado por um cirurgião, com o objetivo de fazer a substituição total ou parcial de uma prótese implantada anteriormente. É natural que a prótese de quadril sofra um desgaste com o tempo, ainda que ela seja utilizada somente para os movimentos comuns do dia a dia.

Pode-se considerar um implante de boa qualidade aquele que tenha, em média, uma durabilidade mínima, ou taxa de sobrevida, de 95% em dez anos de acompanhamento. 

Felizmente, no Brasil já podemos contar com próteses que apresentam alta taxa de sobrevida. Vale ressaltar que esse tempo médio de durabilidade também depende diretamente da técnica cirúrgica adotada e a escolha correta do implante.

Entretanto, pode haver uma série de intercorrências durante a vida de um paciente com prótese, seja de caráter clínico ou ortopédico. Dentre os problemas ortopédicos, podem ocorrer:

  • Complicações operatórias (no ato cirúrgico): envolvem desde uma indicação incorreta à artroplastia até a escolha inadequada das próteses ou implante, técnica cirúrgica incorreta e fraturas durante o procedimento.
  • Complicações no pós-operatório imediato (do final da cirurgia até 30 dias): casos de luxação, infecção, diferença no tamanho dos membros, dor residual leve, lesão neurológica ou vascular.
  • Complicações no pós-operatório tardio (após 40 dias da cirurgia): casos de luxação, infecção ou dor moderada a alta.

O ideal é que a revisão da prótese total de quadril só se faça necessária por conta do afrouxamento asséptico ou desgaste natural do implante, após um período de duração acima da média.

Essa cirurgia consiste em um dos procedimentos mais desafiadores, devido às chances de complicações e de defeitos ósseos provenientes do desgaste e, por isso, o especialista em quadril deve estar preparado para as possíveis intercorrências, a fim de restabelecer a funcionalidade da articulação e, quando necessário, reconstruí-la da forma mais anatômica possível. 

Em casos mais delicados, quando há destruição óssea, se torna necessária a utilização de enxertos ou próteses especiais.

Afinal, quando se deve fazer a revisão de prótese total de quadril?

Enquanto a prótese primária é implantada a partir de um quadro de dor do paciente, o momento para realizar a revisão da prótese é determinado pelo especialista em quadril, a fim de evitar o agravamento do desgaste ósseo. E, na maioria dos casos, quando o processo de desgaste é iniciado, o paciente ainda não sente dor. 

Portanto, é imprescindível que o paciente com prótese de quadril mantenha o acompanhamento com o seu ortopedista pelo menos uma vez ao ano, mesmo quando não sente dor, uma vez que a revisão tardia é determinante para um prognóstico mais complexo na cirurgia. 

Infelizmente, muitos pacientes não entendem a necessidade de uma nova cirurgia, por não estarem com dor e usufruírem de uma boa qualidade de vida, postergando a decisão de se submeter ao procedimento.

O desgaste ósseo começa de modo silencioso e, quando já existe dor no local, provavelmente já existe um comprometimento do estoque ósseo, fazendo com que o procedimento de revisão exija uma reconstrução total da articulação do quadril, em vez de uma cirurgia mais simples e de rápida recuperação, como a troca de somente alguns componentes.

Principais indicadores para a revisão de prótese total de quadril

  • Afrouxamento asséptico

A dimensão do procedimento é definida de acordo com a extensão da perda óssea, que irá determinar a troca de um ou mais componentes, ou ainda a necessidade de reconstrução do acetábulo e/ou do fêmur.

  • Perdas ósseas

Por afrouxamento ou osteólise, esse problema requer a reparação do osso perdido, em que o cirurgião irá decidir se fará o uso de enxerto autólogo, homologo ou heterólogo, dependendo da disponibilidade e da quantidade de osso necessária.

  • Defeitos acetabulares

Ocorrem em quadros avançados de afrouxamento ou processos osteolíticos agressivos, com perdas ósseas que resultam em diferentes tipos de defeito acetabular. E o procedimento para a fixação de um novo implante se torna cada vez mais complexo quanto maior a perda óssea.

  • Defeitos femorais

Perda óssea no fêmur proximal, podendo se apresentar em diferentes níveis de gravidade.

  • Luxações recidivantes

Demandam um adequado posicionamento da prótese para propiciar maior tensão às estruturas, tratando as instabilidades. Existem diversos tipos de implantes com recursos modernos, de diferentes tamanhos e proporções, a serem escolhidos pelo cirurgião, para alcançar melhores resultados em cada paciente.

  • Falhas ou desgastes

Nesses casos, pode ser necessária desde uma simples troca de um componente da prótese até uma complexa reconstrução do acetábulo e do fêmur proximal.

  • Fraturas periprotéticas

Dependendo da situação, é possível estabilizar a fratura com materiais especiais, principalmente quando a prótese se mantém fixa, ou muitas vezes pode ser necessária a troca da prótese.

  • Fratura da haste

Deve ser feito o encaixe da fratura do fêmur, com fins de recuperação do osso, e a fixação definitiva de uma nova haste.

  • Infecções

Dependendo do quadro de cada paciente, pode ser indicada somente uma limpeza cirúrgica do local aliada a um tratamento com antibióticos por um período ou até a remoção da prótese para o tratamento da infecção com antibióticos e um posterior reimplante de outra prótese.

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INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Daniel Daniachi Ortopedista e Traumatologista especialista em cirurgia do quadril

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), possui residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela mesma instituição de ensino e subespecialização em Cirurgia do Quadril.
Registro CRM-SP nº 117036.